PRESBITERIANISMO
E DOUTRINA. 
Introdução
Falar de doutrina do presbiterianismo é falar de Calvino. Aliás,
não há como falar do presbiterianismo sem falar em doutrina.
Presbiterianismo sem doutrina não é presbiterianismo.
A doutrina é a base de toda ramificação eclesiástica
séria. Ela é como o estatuto de uma associação.
É como a constituição de um país. Tillich,
na sua obra ( Love, Power, Justice) disse que não é
possível uma sociedade sem lei. É o mesmo que disse
Paul Ricoeur na obra Ideologia e Instituição, não
é possível qualquer sistema institucional sem a ideologia
regulamentadora. Qualquer comunidade cristã que fuja da doutrina
fica relegada a um tipo de misticismo institucionalizado, ou seja,
perde o foco da hermenêutica bíblico-teológica
e se reduz meramente à linguagem e simbologia religiosas.
A doutrina da igreja é a base confessional daquilo que cremos.
O nascimento da igreja de Cristo trás como base confessional
justamente a doutrina dos Apóstolos At 2.42. Não existe
igreja sem doutrina; se não tiver base doutrinária,
não é igreja, é apenas um movimento ideológico.
Desse modo, a saúde da tradição presbiteriana
é sua saúde doutrinária. Contudo, a doutrina
presbiteriana não deve em hipótese alguma, transformar-se
num dogma, isto é, algo pronto, estabelecido e portanto intocável.
É como disse Karl Barth, a teologia confessional deve ser como
maná: deve atender ao seu tempo e contexto, até
surgir algo novo e mais completo(1) .
A base teológico-doutrinária do presbiterianismo tende
a se tornar dogmática a medida em que se esquece de aplicar
o lema da tradição: Igreja reformada, sempre se reformando.
Isto equivale dizer que devemos constantemente reler a nossa base
de fé confessional a cada momento em que sinalizamos a evolução
do pensamento e da cultura na sociedade. Assim, manter a tradição
significa manter a mesma postura que levou os reformadores a buscarem
essencialmente na Palavra a base de adequação daquilo
que criam. Permanecer na tradição significa guardar
ilesos os princípios fundamentais da fé cristã,
2Ts 2.15.
A tradição presbiteriana deve ser guardada não
como dogma; antes, devem ser guardados os ideais dos reformadores
que reconduziram a igreja de Cristo ao caminho, do qual havia se desviado.
É o que podemos encontrar no artigo de Barth intitulado: Reforma
é decisão(2) . Nesse artigo, Barth pergunta:
Quem tem direito de se reportar a Reforma?
Para Barth, o direito é guardado aos que mantém firme
a base confessional que fundamenta os princípios da fé
cristã. Por meio dessa afirmação de Barth, eu
discordo do que disse Paul Freston(3) , quando coloca como raízes
do protestantismo todas as igrejas evangélicas, inclusive as
pentecostais e neopentecostais. Só são protestantes
ou reformadas as igrejas que trazem como base os princípios
de fé elencados pelos reformadores.