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1.1 A presença de João Calvino na implantação da Reforma em Genebra.

A grande marca da reforma está com certeza na inovação do conceito de vida religiosa fundamentada na liberdade cristã. O povo, diz Calvino, será recebido em sua liberdade e, de fato, o estado mais desejável é quando os magistrados são eleitos... Quando aceitarmos o poder, que isso se faça pela voz comum de todos. Aqui, Calvino dá sinais claros da sua formulação do regime de GOVERNO PRESBITERIANO. Vale lembrar que Calvino foi grandemente influenciado pelas idéias de democracia de Platão. Esta posição de Calvino marcará a sua presença na implantação da reforma por toda a Europa. O triunfo de Calvino será marcado pela descentralização do poder, pois, na democracia, chamada por Calvino de presbiterianismo, instaurou-se um poder que emergiu de baixo para cima. A reforma dirá que os homens, em todos os níveis, podem governar-se porque a luz divina é concedida a todos. Há aqui também a noção de sacerdócio universal que Calvino difundirá na igreja reformada.

A aspiração pela liberdade espiritual e política já vinha de longa data em Genebra; e pode-se dizer que ela já havia, pelo menos parcialmente, sido conquistada pelos chamados Conselhos da cidade. A partir daí, reforma e democracia se fundem, caminham entrelaçadas. Sob a influência dos primeiros reformadores Guilherme Farel, Antônio Fromment e Pedro Viret, seguem-se vários anos de agitação em busca dos novos ideais(7 . No dia 13 de setembro Calvino foi nomeado pastor da antiga catedral de Saint Pierre, recebendo um salário razoável, uma ampla casa e ainda porções anuais de 12 medidas de trigo e 250 galões de vinho(8). Calvino conseguiu a adoção de suas Ordenanças Eclesiásticas. Estabeleceu nova ordem eclesial e nova ordem de culto. Mostrou-se intransigente neste ponto: A igreja devia ser independente do Estado e soberana em todas as suas decisões e inclusive na da excomunhão; a sociedade civil devia ser organizada e pensada a partir do modelo democrático da igreja(9). O Conselho da Cidade concordou com as reformas propostas por Calvino; porém, surgiram muitas manifestações contrárias. Os compatriotas genebrinos consideraram ditatoriais as reformas introduzidas. Até 1546 contam-se 67 condenações à morte, outras condenações ao exílio e cerca de 800 prisioneiros. Tais condenações eram fruto de discordâncias quanto ao ensino da predestinação e também por causa de oposições aos novos ideais. Mas Calvino obteve êxito junto ao Governo da cidade, principalmente, no momento mais difícil do calvinismo, quando da ocasião do julgamento de Miguel Serveto.

As Ordenanças Eclesiásticas preparadas por Calvino prescreviam que Cristo instituiu em sua igreja quatro ofícios: Pastor, professor, ancião e diácono. Estes quatro ofícios eram responsáveis por todos os ofícios na igreja e na sociedade, por meio do chamado Consistório . Calvino queria fazer de Genebra o modelo da perfeita comunidade cristã; sua preocupação era a de propiciar ao povo genebrino a educação religiosa e ainda a ação social, contemplando hospitais e albergueres para viajantes estrangeiros, etc. Sua posição estritamente democrática atraiu refugiados em grande escala; alguns até cultos e de posses, oriundos da França, Itália, Escócia e Inglaterra . Calcula-se que entre 1541 e 1560 a população da cidade duplicou em decorrência maior

(7)BIÉLER, André. A Força Oculta dos Protestantes. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p.69.
(8)“João Calvino e o Diaconato em Genebra”. In: FIDES REFORMATA. São Paulo, (9)Seminário Presbiteriano JMC, 1997, artigo escrito por Alderi Souza de Matos.. p.73.
(10)BIÉLER, Idem,p.72.
(11)WALKER, W. História da Igreja Cristã. São Paulo, ASTE, 1967, volume 11, p.76.
(12)WALKER, op.cit.p.77.