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da imigração. Este aumento populacional acabou gerando determinados problemas sociais e sanitários. A fim de resolver tais problemas, foi criado um ( fundo francês de amparo para os estrangeiros pobres ). Essencialmente, os diáconos responsáveis pela administração deste fundo, tinham como maior missão, angariar dinheiro de refugiados ricos. O que chama atenção neste projeto de Calvino de formar a comunidade modelo, é o fato de fazer com que a igreja nascente fosse meio de abrigo tanto espiritual quanto social; ou seja, a sua forte ênfase no ministério diaconal, a criação deste fundo de amparo e ainda o conceito de liberdade, revelaram o caminho oposto da igreja romana. Enquanto a igreja romana vendiam as indulgências e todos os serviços prestados pelos sacerdotes, a igreja nascente em Genebra, por meio dos diáconos, investia os recursos do fundo em diversos programas caritativos. Os refugiados recebiam ajuda para moradia, comida, roupas, cursos profissionalizantes e ainda pequenas quantias em dinheiro para a compra de ferramentas .

1.2 Características da Teologia de João Calvino.

O eixo fundamental da teologia de Calvino é a doutrina de Deus. Calvino aponta para a doutrina da majestade de Deus como coluna singular do cristianismo. Enquanto Lutero parte de si mesmo, do homem, da consciência de não se salvar, Calvino parte de Deus, de seu plano de salvação . A idéia da glória de Deus mediará toda a teologia de Calvino; esta gloria Dei será o alvo de todos os planos de Deus na criação do mundo e na redenção. Intimamente ligada à idéia da glória de Deus, na mente de Calvino estava a doutrina da providência de Deus providentia Dei .
É preciso ter sempre em mente que o método hermenêutico para estudarmos a teologia de Calvino será a doutrina da glória de Deus. Este é o principal elo entre a teologia de Calvino com a teologia de Karl Barth. Semelhante a idéia calvinista sobre a glória de Deus, Barth fundamentará sua teologia partindo da doutrina de Deus. Calvino aplicava a palavra latina numem, numinoso, para falar sobre Deus. Falava de Deus em termos dessa natureza “numinosa”; ou seja, Deus é inatingível, terrível e, ao mesmo tempo, fascinante. Não se pode falar diretamente a respeito de Deus por causa de sua transcendência radical. Calvino criticou a curiosa teoria do simbolismo cristão. Os símbolos são significações da essência incompreensível de Deus; porém, os símbolos são sempre momentâneos, prontos a desaparecer e a se negar, pois, ao contrário, poderão gerar ídolos . Foi esta teoria do simbolismo que levou Calvino a se opor ao uso de imagens nas igrejas e a qualquer coisa que pudesse desviar a mente do Deus transcendente. Para Tillich, esta é a razão pela qual as igrejas calvinistas se caracterizam por espaços sagrados vazios .
Calvino utilizou o método teológico de Agostinho e Anselmo que afirmavam que a fé leva ao conhecimento (fé em busca de compreensão ); Calvino rejeitou o escolasticismo racionalista que exigia provas da existência de Deus . Os intérpretes da Bíblia na era primitiva partilhavam da tradição comum da tipologia, herdada do judaísmo rabínico. Dois métodos divergentes se desenvolveram. O principal deles era o alegórico, que fluiu do centro platônico de Alexandria. Este método buscava sentidos

(12)“João Calvino e o Diaconato em Genebra”. In: FIDES REFORMATA, op.cit. p.85.
(13)Idem, p.86.
(14)ZAGHENI, Guido. A Idade Moderna. São Paulo, Paulus, 1999, p.136.
(15)9HÄGGLUND, Bengt. História da Teologia. Porto Alegre, Concórdia, 5ª edição, p.224
(16)TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. São Paulo, ASTE, 2000, 2ª edição, p. 260.
(17)Idem.
(18)ROGERS, Jack B. In: Grandes temas da tradição reformada. São Paulo, Pendão Real, 1998, pp.35-42.